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Pagar para ver

Não há muita coisa para contar das Maldivas. Depois dos dias intensos na Índia isto é uma autentica pasmaceira e, fora a noite no aeroporto e os drops na esquerda de Lohi’s, a coisa mais emocionante que acontece são os peixinhos rasparem nos tornozelos quando se entra na água da “lagoa azul”.

Eu não gosto de resorts. Se a memória não me atraiçoa, é a segunda vez que fico alojado numa destas megalomanias da abundância fabricadas pelo turismo de massas. Não gosto. Não gosto dos horários rígidos das refeições, não gosto de empregados à espera de gorjetas por tudo e por nada, não gosto que me olhem de lado porque levo para a mesa do almoço a garrafa de água do quarto (a única bebida gratuita), não gosto dos preços hiper-inflacionados do mergulho, das massagens ou de uma Coca-Cola.

Estou farto de me sentar à mesma mesa e de ver ao meu lado a mesma família russa cujo patriarca parece que vai rebentar de tanto comer; estou farto de me levantar para encontrar a comida sempre no mesmo sítio, com a mesma fila de gente; estou farto daquele peixe (que até é bem saboroso) e da massa à napolitana; estou farto de ver sempre as mesmas pessoas, como se estivéssemos aprisionados num concurso de reality show numa ilha secreta qualquer; até estou farto do rapaz que, amavelmente, vem todos os dias às sete da tarde trocar-me a toalha de praia!

Não me levem a mal, eu entendo bem a facilidade e comodidade deste tipo de férias em algumas situações. Não sou fundamentalista, mas não gosto. E só vim por uma razão.

Bet and loose

O cliché “vais detestar ou adorar” não funcionou comigo. Dizem que quem vai por pouco tempo normalmente “detesta” mas quem fica acaba por “adorar” e regressar mais vezes. Acredito nessa teoria. A Índia é um país fascinante que precisa de algum tempo de descoberta e representa uma imperdível e intensa viagem de sensações e emoções. Eu fico-me, como já disse, do lado positivo da escala e com vontade de regressar para conhecer zonas menos turísticas, aldeias, praias, campo, montanha, etc.
Quanto à possibilidade de ser assaltado, e apesar de alguns dos meus estimados leitores compartilharem comigo essa preocupação, correu tudo lindamente!. Nem sequer, em algum momento, senti qualquer tipo de ameaça ou desconfiança. Fui várias vezes “roubado” em autorickshaws, passeios de barco, velinhas e souvenirs… mas isso é um outro lado da história, que também vale a pena ser vivida.

No que respeita à saúde intestinal, também tudo às mil maravilhas! Com alguns cuidados básicos essenciais e evitando entrar em grandes aventuras gastronómicas (vale sempre a pena experimentar algumas iguarias locais), estou bem e recomendo-me.

Agora nas Maldivas, espero apanhar boas ondas. As previsões não são as melhores… o mar está pequeno, está vento forte do quadrante errado, chuva, trovoada e tempestade, um verdadeiro paraíso! Ainda assim, espero que dê para fazer umas. É um engano comum pensar-se que não há ondas nas Maldivas. Mas há e boas. É um dos locais top mundiais para o surf mas da maioria dos resorts não há acesso directo nem visibilidade para as zonas de surf, que estão fora das barreiras de recife. Eu não pesco, haja ou não ondas. E vou tentar ter muito cuidado para não me espetar nos recifes!

É verdade que dormi uma noite no aeroporto de Malé. O meu voo aterrou à 1:00 da manhã e só tinha transfer para o resort na manhã seguinte. Tinham-me pedido 115 Euros para dormir essa noite num hotel ao lado do aeroporto… mas como eu sou sovina, mandei-os bugiar! A noite, passada nuns sofás de uma sala de espera até que não foi má e deu para dormir.

Quanto a Lexontans para voar… trouxe-os mas ainda não os usei. Os voos até Delhi foram tranquilos e com a ajuda de algumas técnicas do programa Ganhar Asas fui muito mais confortável. Mas ontem voltei a tremer. Apanhei mau tempo no voo Delhi-Colombo, com muitas nuvens e trovoada (via os trovões a rasgar o céu!)… e esqueci-me, num instante, de tudo o que aprendi!

E então? Em quantas acertaram? Há prémios para os melhores! ;)

E agora... boa noite.