Desejo de ano novo

Uma grande civilização só é conquistada pelo exterior quando já se destruiu a si própria pelo interior” - The Story of Civilization, Will Durant.

Há uma fantasia de viagem que tenho recorrentemente: passar o Natal num país estranho, com uma família que me acolhe no seio da sua mesa de consoada. Não é que não goste de passar o Natal com a minha família, até porque as aquisições mais recentes trouxeram um nova alegria a uma noite que, na verdade, se foi tornando monótona e com pouco encanto. Mas tenho essa fantasia, pronto.

Iria estar nessa terrinha há mais ou menos um mês, alojado numa pequena pousada virada para a praia onde fazia surf todos os dias. Não sei bem onde seria… América Central, talvez, ou Peru. Á noite, trabalharia na pizzaria local para pagar o quarto e a ligação internet.

- Não vais a casa para o Natal? Então, anda, comes connosco.

Convidar “estranhos” para a mesa é das mais generosas formas de partilha. É muito mais do que oferecer comida a alguém. É dividir espaço, tempo, sabedoria, intimidade. É misturar raças e culturas, unir pessoas e ideias, construir laços.

Tenho a sorte de ter a ingenuidade suficiente para acreditar na humanidade e na bondade intrínseca com que todas as pessoas nascem - nem sempre fui assim - mas a história da vida e das civilizações parece, de facto, ser um círculo. E o nosso já vai na segunda metade, a fechar-se.

Voltámos à agricultura sem pesticidas (damos-lhe é um nome pomposo e um preço premium), começámos a repensar formas de auto-sustentabilidade energética e alimentar e, depois do colapso do modelo económico-financeiro sob o qual orientamos a nossa existência, estou pronto a apostar que voltaremos, gradualmente, à troca directa.

Acredito na bondade das pessoas e na capacidade de ultrapassarmos as contrariedades que nós próprios criámos, quase como que para saciar a necessidade de nos mantermos ocupados. Mas, não nos iludamos, isto tudo é um ciclo e este já vai na segunda metade. É apenas uma questão de tempo, por isso há que vivê-lo como se não houvesse amanhã! ;)

Façam as malas, em 2009 vamos viajar!