- Isto não vem nos livros da Heidi! - costumava dizer um antigo professor da faculdade quando achava (e achava sempre) que nos estava a ensinar alguma coisa realmente importante.
A Heidi a que ele se referia, não era a do avozinho que mora nas montanhas. Era a outra, a mulher do Alvin. E, quando queria mesmo provocar (e queria sempre), acrescentava com um sorriso sarcástico:
- Muito menos na “Olá dos negócios” - querendo-se referir a uma das pseudo revistas de gestão que estava na moda na altura (e deve continuar a estar porque ainda a vejo nas bancas).
A Índia vem nos livros. Em todos. Em todos os que interessam por agora, pelo menos. Vem nos guias e nas revistas de viagem, vem na lista de viagens de sonho de muitos nós (na minha não vinha), vem em documentários de televisão, vem nos restaurantes chiques a que gostamos de ir ao fim-de-semana, vem nas histórias de aventuras de amigos e conhecidos. “Ou se adora ou se detesta” é o cliché habitual. É o que vem nos livros.
Faço todos o dias um esforço grande para meter na cabeça que esta Índia que estou a ter o privilégio de ver é a mesma que está prometida para ser uma das próximas super potências mundiais. A mesma do “silicon valley” asiático, a mesma que tem um programa espacial ambicioso. Pergunto-me quantas destas pessoas têm a real noção da dimensão (em todos os aspectos) do seu país.
Sim, está cá tudo bem à mostra. A poluição e as obras intermináveis do caos urbano de Delhi, a miséria, as pessoas (pessoas?) largadas semi-nuas pelo chão, a sujidade, as vacas e o seu estrume, as crenças religiosas a raspar o fanatismo, os hábitos estranhos, as contínuas tentativas de impingir mais qualquer coisas, de enganar o próxima (sim enganar, não me venham com coisas), os banhos no Ganges, que, à vista humana, só podem fazer mais mal do que bem.
Mas com essas coisas é relativamente fácil de lidar. Basta fechar os olhos e seguir em frente, tal como vem nos livros. E, de preferência, a alma e o coração também.
O verdadeiro enigma deve ser o resto. O que está debaixo desta camada superficial e que o pateta do turista distraído (incluo-me, obviamente, neste grupo) não consegue decifrar. E isso, desconfio eu, não deve vir nos livros da Heidi.
A Heidi a que ele se referia, não era a do avozinho que mora nas montanhas. Era a outra, a mulher do Alvin. E, quando queria mesmo provocar (e queria sempre), acrescentava com um sorriso sarcástico:
- Muito menos na “Olá dos negócios” - querendo-se referir a uma das pseudo revistas de gestão que estava na moda na altura (e deve continuar a estar porque ainda a vejo nas bancas).
A Índia vem nos livros. Em todos. Em todos os que interessam por agora, pelo menos. Vem nos guias e nas revistas de viagem, vem na lista de viagens de sonho de muitos nós (na minha não vinha), vem em documentários de televisão, vem nos restaurantes chiques a que gostamos de ir ao fim-de-semana, vem nas histórias de aventuras de amigos e conhecidos. “Ou se adora ou se detesta” é o cliché habitual. É o que vem nos livros.
Faço todos o dias um esforço grande para meter na cabeça que esta Índia que estou a ter o privilégio de ver é a mesma que está prometida para ser uma das próximas super potências mundiais. A mesma do “silicon valley” asiático, a mesma que tem um programa espacial ambicioso. Pergunto-me quantas destas pessoas têm a real noção da dimensão (em todos os aspectos) do seu país.
Sim, está cá tudo bem à mostra. A poluição e as obras intermináveis do caos urbano de Delhi, a miséria, as pessoas (pessoas?) largadas semi-nuas pelo chão, a sujidade, as vacas e o seu estrume, as crenças religiosas a raspar o fanatismo, os hábitos estranhos, as contínuas tentativas de impingir mais qualquer coisas, de enganar o próxima (sim enganar, não me venham com coisas), os banhos no Ganges, que, à vista humana, só podem fazer mais mal do que bem.
Mas com essas coisas é relativamente fácil de lidar. Basta fechar os olhos e seguir em frente, tal como vem nos livros. E, de preferência, a alma e o coração também.
O verdadeiro enigma deve ser o resto. O que está debaixo desta camada superficial e que o pateta do turista distraído (incluo-me, obviamente, neste grupo) não consegue decifrar. E isso, desconfio eu, não deve vir nos livros da Heidi.